Lá la land
Por onde começar…
Que tal uma canção?
Eu admito, não sou nem de perto um grande fã de musicais, para mim, quando alguém começa a cantar do nada é ruim. Simples assim, quebra a imersão do filme, diálogos e dispersão de descrença. No momento que o filme começou, várias pessoas em seus carros saíram e começaram a cantar aleatoriamente, eu quase saí do filme.
Iniciando com teor tão negativo, a mensagem que passa, imagino eu, e de que odiei o filme ou não achei tudo isso. ERRADO. Eu fiquei encantado com esse longa, exatamente por isso tudo que falei. La la land me fez repensar meus conceitos sobre musicais.
Devo dizer que o filme não é sobre cantar necessariamente, envolve sim músicas, mas é algo tão orgânico na obra. Não consigo pensar em contar essa história sem os números musicais e a bela trilha sonora de Justin hurwitz.
A história em si, é uma típica história de amor em Los Angeles (Por isso o La). Terra dos sonhos, onde dois jovens artistas
estão à procura dos seus. Mila,
Interpretada por Emma Stone, uma atriz em busca de um papel em Hollywood enquanto trabalhar na cafeteria dos estúdios Warner. Sebastian, interpretado por Ryan Gosling, é um puro amante do jazz, querendo ter seu próprio clube de música soul. A química entre os dois é inteligível. Posso dizer que se aproxima muito da Emma com o Andrew em “homen-aranha“. Ambos estão incríveis no longa, quero destacar mais a Emma, que venceu o Oscar na época, ela traz uns apertos no peito em certas cenas; uma alegria sensível; vazio melancólico; comédia corporal. Passar aquela sensação de tentar várias vezes e fracassar e não está aguentando mais, Incrível. Uma das minhas atrizes favoritas, ainda vai passar muitos filmes dela aqui.
O desenvolvimento é leve, quando se percebe por si, está a torcer pelo casal e imerso na proposta. Grande parte do filme é tocada, isso sensibiliza e constrói uma atmosfera na qual muita coisa não é falada. Entende-se por meio da trilha. Iguais aos filmes mudos do início do século passado. Os personagens têm personalidades, conseguimos saber o que querem, por que querem e como querem. Além de medos e temores. Há constante evolução neles. Apesar do filme não fazer muita questão de situar exatamente a timeline do filme.
Direção é um grande ponto a ser destacado. Existe um make off, até famoso, de uma cena e o trabalho do operador de câmara nela. Absurdo. Você jura de pé junto que tem edição, porém não, são apenas dois caras e os atores. É só um pequeno pedaço para demonstrar o tamanho do todo. Grande trabalho do Damien Chazelle. A direção de arte e fotografia é outra coisa muito linda, muito deslumbrante. Os enquadramentos, a composição de cores, as cenas. Lindo. A cena deles na casa com aquela luz neon verde é para admirar. Parabéns ao Linus sandgren e aos outros membros.
Falando um pouco mais do final do filme. Ouso a dizer que é o momento de “Punch“, o soco do roteiro. No início do texto, eu disse que era uma típica história de amor, certo? Para mim, se desdobrava assim a história. Contudo, ela se encaminhou para um lado mais realista e relacionável. Até triste, bem triste, aliás. O longa, de maneira sádica, ainda mostra a vida da Mila e do Sebastian juntos, quase como o final de “500 dias com ela“. O piano, o bendito toque que permeia os dois, de novo parabeniza a imagem e o som. A ambiguidade da felicidade pela realização dos sonhos dos personagens e a tristeza pelo fim do casal. Faz sobrar ao público apenas a reflexão, a amargura do doce relacionamento que não se concretizou. La la land explode aqui, como filme em termos de cidade. Torna-se o caminho, a trilha, a rua de quem busca sonhar, pois essa é a realidade que pode ser vivida em qualquer lugar.
Deixo meus sinceros 9.1
P.S: Um grande balançar de cabeça negativo para o vendedor de melhor filme, moonlight, em 2017.
















