Princesa mononoke. (Ghibli)
O anime retrata uma era antiga no Japão, onde ainda existiam os espíritos dos deuses, principalmente nas florestas.
A história começa com uma criatura horrenda saindo das árvores e atacando um vilarejo próximo. O príncipe do local busca acalmar a fera e acaba sendo amaldiçoado, em seguida acaba matando o espírito corrompido. Dando início a sua jornada, buscando a cura para a sua maldição no habitat de origem do espírito, do outro lado do país.
De início você querendo ou não é levado por esse misticismo da história, a curiosidade gerada é quase constante não só pela história do príncipe Ashitaka, mais também pelo mundo que há ali.
Chegando ao norte do Japão, o príncipe acaba se vendo em uma briga entre um vassalo e uma senhora do aço (Lady Eboshi). Esse conflito em si não é muito explorado, o que eu acho um acerto, porque o verdadeiro conflito se dá pelo homem, espíritos, animais e a floresta na totalidade.
Não existe plena maldade ou plena bondade em um ser pensante, Lady Eboshi, a “vilã” do longa e na minha opinião a personagem mais cativante e interessante do enredo. Sua bondade é retratada por seus subordinados, o seu entorno é alegre, satisfatório e todos a reconhecem. Sua metalúrgica, apesar de ter sido criada matando parte da floresta e guerreando-a com ela por causa disso, não faz o lugar construído ruim. Pelo contrário, é um lugar justo à frente do seu tempo. Eboshi é ambiciosa e quer mais, mas também é gentil; ela faz armas, mas não a vira para pessoas inocentes. Sua simples humanidade divisível cativa.
Sua rival, Mononoke, uma garota deixada para morrer por seus pais enquanto fugiam, foi pega e criada pelo espírito Moro. Um espírito importante da floresta, a jovem luta para expulsar Eboshi do local com sua mãe, irmãos e mais outros animais. Apesar do filme levar seu nome, para mim mononoke não brilha tanto, apesar do seu visual lindo, ela vive a própria dualidade entre odiar os humanos e ser um deles, ao mesmo tempo, se considera um animal e não ser aceita pelos próprios.
Ashitaka transita entre esses núcleos mostrando o lado de cada um enquanto busca sua cura. O jovem, apesar de novo, imagino eu que seja uma representação da consciência, pois sempre tenta, independente do lado, ajudar. Existe um romance sútil, com poucas palavras e cenas entre Ashitaka e mononoke, acrescenta um certo doce e boas variações ao roteiro no meio do filme que é um pouquinho arrastado.
O clímax final vem com a “morte” do principal espírito da floresta. Nesse terceiro ato da animação percebi, talvez, a principal nuância do filme. A floresta vive, por que não a tratamos de tal forma? Esse foi o questionamento do filme. Entretanto, faço outra pergunta. O que realmente adiantaria tratar a floresta como um ser vivo? Quando à nossa volta existem pessoas e animais escanteado por aí. Sendo extintos, caçados, presos, abandonados… Imagino que para responder à primeira pergunta ainda há um longo caminho a trilhar, não para valorizar mais a floresta, mas sim, como apreciar realmente uma vida.
A história, apesar de não ser “nova“, na verdade, é bem repetitiva; Pocahontas, Avatar, Dança com lobos… só para citar alguns. O lado oriental com o diretor Hayao Miyazaki traz um lado místico lindo, com animação incrível, personagens com personalidades. Sem contar a trilha sonora muito sensível e aguçada.
Deixo minha nota:
7.9
