Barbie. ( filme)

Barbie.

   Certos filmes tem seus públicos alvos, como, por exemplo: filmes infantis ou filmes para maiores de idade. Isso é recorrente ao longo do ano, estúdios produzem longas para um certo público ou visando alguns grupos sociais. Barbie é um excelente expoente desse tipo de produção. Apesar de passar da casa do bilhão em bilheteria, muito se deve ao fenômeno de marketing digital barbenheimer, ele tem claramente um alvo: mulheres entre 12 a +50 anos. Só é possível ver Barbie se estiver nessa audiência, claro que não, obviamente dá, entretanto, por questões culturais é realmente difícil entender certas questões que o filme quer passar. Além de dar algumas explicações que quebram o ritmo, justamente para tentar explicar para outras audiências.

   O longa se inicia no barbie world, onde vivem várias versões da Barbie e do ken. Lá as principais funções, premiações, trabalhos e casas pertencem às Barbies. Um mundo que brinca com sua temática (casa de boneca), o famoso tosco de propósito, deixa as coisas leves e engraçadas.  

   A grande questão do filme se inicia quando a Barbie estereotipada começa a ter pensamentos sobre morte e começa a virar humana aos poucos, em seguida vindo para cá, o mundo real. Os grandes dilemas que o longa aborda estão nesse choque de mundos diferentes, o próprio filme denomina tal discordância como mundos invertidos. Com isso, além dos embates socioculturais, também há excelentes cenas cômicas e reflexivas aqui, para mim com certeza é o apogeu do longa.

  Aqui eu gostaria de refletir como a dominância de gênero em detrimento a outro gera revolta, acho que tanto o mundo real quanto a Barbieland escanteiam uma parte do seu mundo. Claro que temos que levar em consideração o tom crítico/exagerado que o filme mostra isso, porém é algo para se pensar.

  Após presenciar o mundo real e escapar da Mattel, sua criadora, Barbie volta ao seu mundo acompanhada da pessoa que estava a transformando, uma mulher de meia-idade com sua filha. Quando retornam, tudo está diferente, com os kens no controle da Barbie world. O fim do filme é basicamente as Barbies retomando o controle do seu mundo, ao mesmo tempo, tentam dar um pouco mais de poder ao kens, que são bem esquecidos assim como as mulheres no mundo real. Essa semelhança que o longa retrata, para mim, tem quase um viés antropológico. Porque nunca havia reparado o quanto as coisas têm influência masculina, principalmente na visão histórica.

  Por fim, depois dessa jornada toda, a Barbie estereotipada deseja se torna humana, para poder se autor realizar, ser parte das pessoas que inspiram e não as que foram criadas. Um final poderoso, com ajuda da música da Billie eillish, mostra momentos de várias mulheres diferentes ao longo da vida. Um momento muito bem construído, brevemente criado com um discurso pela própria criadora da Barbie para a própria.

  Como disse anteriormente, o filme tem com quem conversar, a ligação que você criar com um longa e totalmente inerente ao assunto que ele retrata e de como você se identifica com ele. Pequenas cenas, diálogos, gestos são impossíveis de serem compreendidos por mim, um homem, como a fala do salto ou o discurso usado para tirar as Barbies do transe. Gosto de traçar paralelos, imaginar alguém caucasiano assistindo a um filme culturalmente afrodescendente, mesmo querendo é quase impossível saber as nuances que o filme retrata para essa pessoa.

  Queria destacar a diretora do longa a Greta Gerwig, que apesar da filmografia pequena, ela vem crescendo naquilo que se propõe filme a filme. Eu vi Lady Bird, um filme com suas críticas, mas bem ok, enxerguei esses trejeitos no filme da Barbie, só que num estágio mais avançado. Esse humor ácido até de vergonha alheia em alguns momentos é incrível, o ambiente criado para o drama. Greta Gerwig é uma nova diretora que merece o destaque que vem tendo, antes mesmo do longa ser lançado eu já estava de olho por conta dela, então fico feliz que estava certo em confiar.

Barbie é um filme bom, apesar de qualquer piada ou um olhar até meio preconceituoso, ele faz aquilo que é proposto e esperado. 
Dou uma nota:
7.5

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