Scott pilgrim vs The world
Muito provavelmente, eu não consiga expôr o sentimento e as ideias que tenho sobre o filme. Vou tentar ao máximo, mas é difícil.
O fato dele ter sido lançado (2010) antes mesmo que eu tivesse 10 anos, obviamente, traria uma lembrança nostálgica para a análise. Pois bem, isso não ocorreu. Eu não vi até 1 ou 2 anos atrás. Mesmo assim, sinto uma forte conexão com o longa como se tivesse visto na época. Isso por si só mostra um certo nível de complexidade que há nessa relação que só existe com o filme.
Pensando há um tempo, acho que os atores são parte desse sentimento. Especialmente o Michael Cera, que fez Super Bad, um puta filme nostálgico. Mary Elizabeth Winstead que foi e ainda é uma grande paixão platônica de uma versão adolescente minha, talvez até hoje. Foi a vilã de Sky high, novamente outro filme que abraça uma lembrança afetiva. Fora outros como a Brie Larson e o Chris Evans. As roupas são um ponto a ser destacado também, existe, na verdade, todo um suco do final da década de 2000 presente.
O filme em si é um conforto muito grande à mente, como se fosse uma conversa acolhedora. Esse é o meu sentimento primário em relação ao longa. Parece que tudo se comunica extremamente bem comigo. A edição sagaz, estilosa, rápida, porém ritmada é sensacional. Cara, assim, o filme parece desconectado da sua década, pois nesses quesitos ele não envelheceu nada e vai demorar muito, muito mesmo para chegar nesse rótulo. Além das coreografias, cenas lindas, músicas, Edgar Wright estava incandescente. Possivelmente, apenas os efeitos visuais serão datados a médio prazo, mas ainda assim, eles têm um ar tão charmoso que não atrapalhará a experiência.
Adentrando a história, o longa aborda o tema relacionamentos como cerne. A figura da Ramona flowers é a figura que busca o momento, que vai embora como a sensação de hidratar-se, sente sede, bebe e segue a vida. Ela não é apenas isso, tal definição representa mais um passado não muito distante. A busca por paz, novos ares e um novo tipo de relacionamento fazem parte também da personagem.
O Scott, não diria que é melhor, acho que é até pior, já que foge dos seus relacionamentos passados sem reconhecer seus erros. Perseguido sempre o outro, o próximo. Até o término com a Envy Adams, fez aflorar uma insegurança que já estivesse ali, ressoando futuramente na Knives Chau.
Ambos não são mocinhos inocentes, mas levo para mim que eles, após todo o enredo do filme, são pessoas diferentes das que citei anteriormente. Eles não diferem da realidade, alguns ou possivelmente a maioria de nós, iremos ou fomos magoados por não estarmos prontos realmente para amar ou sermos amados da forma correta.
Scott pilgrim vs o mundo não fez uma bilheteria alta, nem se pagou, na verdade. A repercussão não foi grande na época, apesar de as HQs de Bryan Lee O’Malley já serem um verdadeiro sucesso. Enfim, os anos fizeram o reconhecimento à qualidade do filme aparecer e a criação de um clássico cult surgir. Sem contar na música “Black sheep” cantada pela Brie Larson que também cresceu bastante, a ponto de hoje os fãs pedirem para ela tocar em algumas lives que faz. Fico muito feliz com tudo isso, pois é merecido com 100% de certeza.
Deixo uma nota 9.4
