Cidade baixa.

Cidade baixa (2005).

Particularmente, eu acho incrível como um país noveleiro ou amante da dramaturgia não liga para seu cinema nacional. Sem nacionalismo, só uma reflexão. Algo triste, a meu ver, pois falta incentivo na área e inclusive desperdício de vários talentos.

Por sorte, mesmo com empecilhos, surgem grandes atores para o Brasil se orgulhar. Dentre esses, o filme reúne três deles de uma só vez.

Naldinho, interpretado por Wagner Moura, e Deco, interpretado por Lázaro ramos, fazem entregas pela costa brasileira com seu barco para sobreviver. Além de serem colegas de trabalho, também são grandes amigos desde a infância. Ou pelo menos eram até conhecerem Karinna, interpretada por Alice Braga, uma garota de programa buscando sair do seu estado. 

O cerne do longa é basicamente esse, um triângulo amoroso quente tanto na cama quanto nos nervos. No início de tudo, os grandes amigos nem sequer pensavam em brigar por uma mulher. Entretanto, com o passar do tempo, isso tudo muda drasticamente. Tanto que a grande cena final são os dois, Naldinho e Deco, brigando ferozmente na rua, quase se matando.

Com um roteiro “realista”, simples de certo modo, o destaque vai com certeza para os atores. Não consigo parar de pensar que, se o filme fosse feito com outras pessoas, chegaria somente a um nível mediano, talvez nem chegasse perto disso. São de fato os destaques da sua geração, que eram à época boas promessas. Lázaro, Wagner e Alice Braga te engolem em poucos minutos de filme e te mastigam até o final.

O diretor Sérgio Machado fez seu primeiro trabalho aqui; por isso, dá para perceber uma certa inexperiência. Porém, longe de ser uma estreia ruim. Um bom destaque é o “contexto“, os cenários aos quais os personagens estão inseridos. Locações, prédios e ambientação. Bem cru e relacionável.

Um filme ótimo, para ser apreciado. Não como um longa geracional, mas como um excelente expoente de um país pobre em aproveitar seu cinema. Recomendado para aqueles que fogem do preconceito “filme nacional” que tanto crítico e discordo.
7.9

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